terça-feira, 24 de agosto de 2010

Faxina de sábado

Eu não tinha mais nada a fazer quando inventei essa paródia. Ok, mentira. Tinha sim, e muito. Mas há besteiras que devem ficar registradas para todo o sempre. Porque, afinal, não somos sérios o tempo todo. E rir faz bem à saúde!

O pior disso tudo é a reação das outras pessoas: quando elas acham que te conhecem, pimba! Tu acabas soltando um comentário com duplo (e às vezes até triplo) sentido, piadas sem pé nem cabeça - engraçadas justamente por não terem pé nem cabeça... Porém, que fique bem claro: é pior para as outras pessoas. Pois tu não estás dando a mínima. Perdes um pouco da tua reputação, mas não perdes a oportunidade. Afinal, o que fazer com essas vontades repentinas de dizer uma besteira? De não falar nada com nada? Ou então, de falar algo que não presta?

Não me preocupei com a qualidade desse texto. Ele realmente não diz nada, e eu mesma não quis dizer nada com ele. Apenas deixarei aflorar um lado meu que geralmente não é conhecido pelos outros. Um ímpeto de loucura? Talvez. A vida é assim. As pessoas são loucas ao natural. Pessoas estranhas falando coisas esquisitas, pessoas esquisitas falando coisas estranhas (créditos da professora Sabrina). E a respeito de quem se declara normal, não tendo coragem de assumir seu lado insano... São os piores. Desses, eu tenho medo.

Bom, vamos ao que interessa.

Fiz uma paródia da música Tititi, da Rita Lee. Se essa música é o tema de abertura de uma das novelas da Rede Globo, e se tu, leitor, tens algo contra essa emissora de televisão, a culpa não é minha. Escuto essa música quase todos os dias pelo fato de a televisão estar ligada na Globo quando estou em casa. Fora isso, sim, tenho uma certa simpatia por algumas músicas da Rita Lee.


Essa paródia é dedicada à minha madrasta,
que vem com os seus irrecusáveis convites de
acordar às 07:30 no sábado pra fazermos faxina.
Eu ainda vou descobrir onde fica a plantação de pó
instalada na minha casa, e que espalha poeira
por todos os cantos possíveis.
Ah, vou.


TITITI - VERSÃO FAXINA DE SÁBADO

Se pintar uma tal de faxina
Corre e vê se eu estou lá na esquina
E se estiver, vê se me deixa em paz
Eu quero mais é ficar bem longe desse tititi

Pouco bolo pra muito bico
Muita caca pra pouco penico
Não vou porcurar sarna pra me coçar
Então desgrude, vá à luta e chega de blá blá blá...

Volta e meia, meia volta, volver
Saio de fino pra ninguém preceber
Essa faxinada é mais chata que gilete
Nada mais furado do que papo de tiete

Tititi, tititi, tititi, tititi, tititi

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Como si fuera ayer...

A los tres, les hecho de menos (aúnque no parezca, por ser raro el contacto)
Les extraño cuando camino por la facultad,
la FACED (con sus detalles particulares los cuáles no es necesário mencionar acá),
la biblioteca,
el António,
solita...

A los tres,
a estes quiénes me proporcionaron aventuras estupendas y momentos inolvidables
aúnque no haya la presencia física,
las sonrisas, las bromas, las preocupaciones, las conversas indecentes;
los planes, los miedos, las esperanzas, las dudas
aúnque falte todo eso
les llevo conmigo.
No sólo en las fotografías,
los recados en el cuaderno, los mensajes en móvil, los testimonios en orkut.
pero también, y principalmente
en el corazón.
Porque hay cosas en la vida que pasan.
Pero las personas no.
La distancia no ejerce poder sobre la memoria de uno.
La memoria está ahí, viva, presente, brillante.
Como si todo volviera.
Como si no hubiera pasado el tiempo.
Como si fuera ayer.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Justificativa

"Professora:

Não vou à aula!

Tá chovendo. Tá frio. Eu moro longe. Não li o texto da matéria que vai ser discutido. Não quero ouvir asneiras. Quero dormir de bom humor. Tenho direito a mais uma falta. Hoje é dia de jogo do Inter - de novo.

Mas não se preocupe!

Amanhã terá sol. Não estará tão frio. Lerei o texto que eu deixei pendente e me atualizarei da discussão da aula. Encontrarei com os amigos - logo, não ouvirei asneiras. Acordarei animada. Não terei estourado meu limite de faltas. E o Inter, se ganhar, ganhou; se perder... não conseguirei evitar o sorriso no rosto."

domingo, 16 de maio de 2010

Contradição

E no meio de uma conversa entre amigos...

-Bah tchê, te liguei ontem de noite, lá pelas sete, e tu não atendeu!
-Ah, é que eu tava na missa a essa hora, com o celular no silencioso...
-Mas pelo amor de Deus, cara! E tu ainda acreditas nessas baboseiras?
-Como?
-Como assim "como"?
-Ué, mas o que é que tem? Alguma coisa errada?
-Minha Nossa... ah, quer saber, esquece.

*(Para fins de conhecimento, a expressão coloquial "minha Nossa", assim como a variante "Nossa", é explicada diacronicamente pela expressão "minha Nossa Senhora".)


Baseado num comentário totalmente absurdo, vindo de uma colega de aula.


É nessa horas que eu fico pensando: ateu realmente existe?
Porque diálogos irônicos, semelhantes a esse, eu ouço todos os dias.
E o que dizer das pessoas que pregam a Liberté, Egalité et Fraternité francesas, que são supostamente contra qualquer tipo de preconceito, e que no entanto o fazem com relação à religião católica? Cito-a porque ela tem predominância nas dicussões pró-ateísmo e debates polêmicos infundados ironicamente dirigidos por pessoas às quais lhes falta o verdadeiro conhecimento sobre a realidade católica. Bom, mas deixemos isso para, quem sabe, outra postagem.
Fui cruel? Não tanto quanto os comentários que ouço por aí. Desses sim, deve-se ter medo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Cardápio

Estava pensando hoje, enquanto voltava para casa com o estômago roncando, sobre qual seria o cardápio nada ideal para uma refeição. Porque, afinal, quando se está com fome, para qual assunto nosso pensamento irá direcionar, automaticamente? Comida, óbvio. E como pensar nos pratos preferidos já não tinha mais graça (ora, sempre os mesmos) nem utilidade - posto que a fome aumenta ao pensar-se em pizzas e lasanhas - resolvi remexer o cérebro em busca do que eu não gostava. E consegui!

Entrada: amendoins torrados e salgados.
Prato principal: sopa de ervilhas.
Acompanhamento: mondongo.
Bebida: suco de caju.
Sobremesa: figos em calda.

Lombrigas famintas acalmadas, veio então outra preocupação: e se tal azar batesse mesmo à porta da minha cozinha?
Eca!

sábado, 27 de março de 2010

Identidade

Vi meu reflexo num sonho.
Lá estou eu. Mão no queixo, pensando. Constante, imponente, imóvel. Mergulhada em ampla quietude, às vezes interrompida por um vento suave.
Ouço o farfalhar das folhas das árvores; som que lembra o mar.
Pergunto-me o que estaria fazendo ali. Percebo que meu reflexo está com o olhar perdido no horizonte, com um semblante ligeiramente entristecido.
-Oi - resolvo iniciar uma conversa.
-Olá - meu reflexo olha com um certo ar de incredulidade.
-O que tu estás fazendo aqui, sozinha?
-Nada...
-Nada?
-Refletindo sobre a vida. Sobre as coisas que fiz, disse, falei. Estou pesando tudo e vendo se valeu a pena.
-Ah. Não quero atrapalhar.
-Imagina.
-Algum problema específico?
-Bem... sim e não. Creio que o problema que existe está dentro de mim. Mas... Vamos mudar de assunto?
-Vamos.
-Agora eu pergunto: o que tu estás fazendo aqui?
A pergunta me pegou de surpresa. Até ali não me passara pela cabeça o motivo de eu estar ali naquele lugar.
-Não sei. Estou no meio de um sonho.
-Sonhar é bom. Faz muito tempo que eu deito a cabeça no travesseiro e durmo sem sonhar nada. Deve ser o cansaço.
-Sei bem como é. Olha, posso sentar aqui contigo?
-Claro.
A conversa deixara-me confusa. Esse outro eu, reflexo do original, não parecia muito bem. Seus olhos estavam sem cor, seu rosto estava pálido, sua aparência minguava.
Espera, espera, espera. Até quando?
Está decidido: vou embora. Levanto e limpo a terra que ficara na calça. Começo a minha marcha.
Dou uma última olhada para trás. E com imensa decepção, constato que nada mudou. Meu eu do sonho não é nada mais que uma réplica da realidade. Sem fantasias, sem destino, sem alegria, sem nada.
Abano a mão para meu reflexo. Um resquício de esperança, que acaba se tornando despedida.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Morfologia

Analisando uma palavra no singular, verifica-se que ela possui a presença da ausência de um morfema plural.

Assim como a tristeza tem a presença da ausência da alegria.
O sonho tem a presença da ausência de realismo.
A esperança tem a presença da ausência de pessimismo.
A solidão tem a presença da ausência de uma boa companhia.
E ainda a saudade não apresenta nada mais nada menos que a presença da ausência de quem se gosta.

Resolvi realizar uma análise morfológica de mim mesma.
E pude concluir que estou com a presença da ausência de ti.